Artinclusão completa dois anos com novo olhar sobre internos do IPF


Beleza Marginalizada, Um outro lado da loucura,
está em exposição no IPF
(Fotos: Luan Sousa)

O dia 5/7 foi regado de cores, sabores e muita musicalidade, um momento inesquecível para os internos do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF). Com apoio da Vara de Penas e Medidas Alternativas (VEPMA) o evento comemorou os dois anos do Projeto Artinclusão, que oferece oficinas de artes para os pacientes. O professor e Artista Plástico Aloizio Pedersen, mentor do projeto, conduziu os convidados a conhecerem as 200 obras de arte da exposição Beleza Marginalizada, assinadas por 104 internos.

Após, os convidados assistiram o relato dos próprios artistas, como também, o testemunho de voluntários que abraçaram a causa em prol da solidariedade. Além dos relatos, foi possível conhecer um pouco da vida de grandes pintores renomados da história. Aloízio Pedersen também ressaltou a importância do projeto e a história marcada pela luta de dar vazão ao sonho do Artinclusão: O resultado desse trabalho com ajuda de amigos e somado aos trabalhos dos pacientes, é sentido por mim, como uma imensa gratidão. Isso tudo me diz que estou no caminho certo. Estou há 40 anos executando trabalhos em presídios, escolas, ateliers de pintura e teatros. Mas todo resultado da minha vida era para fazer isto que estou fazendo hoje. Fiz muitas experiências e todas estão condensadas no Artinclusão. Mesmo diante de tantos prêmios - em muitas áreas - agora sei que tudo isto que eu passei é para eu estar aqui neste momento, emocionou-se.


Professor e artista plástico Aloizio Pedersen comemora
resultados obtidos para a recuperação dos pacientes
 

Festa

Um grupo de voluntários uniu-se através de seus dons para propiciar alegria aos internos do IPF. Pela manhã, artistas circenses do Grupo Viver de Rir e Voluntários do Bem participaram das atividades e também promoveram, na ala feminina, maquiagens e unhas. No almoço, cheffiado por Júlio Ritta e Nina Cardoso, o grupo Cozinheiros do Bem ofereceu um cardápio especial, à base de  Strogonoff para 140 internos. O cardápio foi oferecido pelo Juiz Luciano André Losekann, da VEPMA, que doou verbas pecuniárias para compra dos alimentos e bebidas.

Pela tarde, além da apresentação das obras, os percussionistas Fernando Sessé e Cassiano Mirando realizaram um sarau musical com instrumentos de percussão, como o handpan, que propiciam um ambiente terapêutico. Também participaram do evento a Psicóloga Karen Netto e a professora de Literatura Regina Silveira, que declamou, com a participação de todos, uma poesia de João Cabral de Mello Neto sobre Miró. 


Mais de 200 obras estão à venda
e são revertidas aos internos/autores

Encerrando o evento, o Grupo Sambatri levou alegria a todos, oferecendo uma grande roda de samba.  

Emocionado, Aloizio Pedersen agradeceu um a um pelo trabalho desenvolvido, em especial à equipe do IPF, que abraçou a causa recebendo dezenas de convidados. E destacou: Estamos escrevendo uma outra história de inserção social neste Estado. É um dia muito especial, acredito ser uma dos mais significativos de minha carreira, afirmou o artista plástico.

Para interessados em comprar as obras de arte dos internos, o professor Pedersen orienta que seja agendado, através do seu telefone (51) 9 9986 6250, o dia da visita, ou através do facebook https://www.facebook.com/artinclusaoipf. O valor das vendas é revertido para os próprios artistas.


Internos/artistas e mentor do Artinclusão
celebram o aniversário do projeto

Artinclusão

O projeto objetiva profissionalizar os internos do IPF, gerar futuras rendas e estender a inserção social e de cidadania. As obras produzidas sob a supervisão do Artista Plástico Aloizio Pedersen contam com o apoio da Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas (VEPMA), jurisdicionada pelo Juiz Luciano André Losekann. O Artinclusão é inspirado nas experiências anteriores dos Psiquiatras Osório César (1895-1979), em Juqueri/SP e Nise da Silveira (1905-1999), no Rio de Janeiro, ambos acompanhados por artistas plásticos.

O Professor Pedersen destaca que no IPF a pintura é uma atividade complementar ao atendimento clínico e tem apresentado visíveis benefícios psíquicos, além de sociais e econômicos. Auxilia no ordenamento da mente, atuando em importantes funções como: pensamento, percepção, afetividade, memória, linguagem, entre outros. Eles passam a aceitar a sua condição e a descobrir novas potencialidades, explica. Ressalta que, em dois anos, o benefício proporcionou a desinternação em um menor tempo cronológico, além de beneficiar a qualidade na vida dos pacientes.


Materiais para a produção das telas são adquiridos
com recursos de penas pecuniárias, destinados pela VEPMA

O Artinclusão/IPF/SUSEPE/VEPMA conta com o apoio de 17 Universidades do RS.


EXPEDIENTE
Texto: Fabiana Fernandes
Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend
imprensa@tjrs.jus.br
 


Publicação em 09/07/2019 12:45
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