O Caso


Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, desapareceu em 4/4/14, em Três Passos. Seu corpo foi encontrado dez dias depois, dentro de um saco, enterrado às margens do rio Mico, em Frederico Westphalen.

Edelv√Ęnia Wirganovicz, amiga da madrasta Graciele Ugulini, admitiu o crime e apontou o local onde a crian√ßa foi enterrada. Para o Minist√©rio P√ļblico, Leandro Boldrini foi o mentor intelectual do crime. Ele e a companheira n√£o queriam dividir com Bernardo a heran√ßa (motivo torpe) deixada pela m√£e dele, Odilaine, falecida em 2010, e o consideravam um estorvo para o novo n√ļcleo familiar (motivo f√ļtil). O casal ofereceu dinheiro para Edelv√Ęnia ajudar a executar o crime (motivo torpe).

Bernardo, não sabendo do plano, aceitou ir até Frederico Westphalen com a madrasta para ser submetido a uma benzedeira (dissimulação). O menino acabou morto por uma superdosagem de Midazolam, potente sedativo de uso restrito (emprego de veneno). Seu corpo foi enterrado em uma cova vertical, aberta por Evandro Wirganovicz.

Depois de ajudar a matar e enterrar o filho (ocultação de cadáver), para que ninguém descobrisse o crime, Leandro Boldrini fez um falso registro policial do desparecimento de Bernardo (falsidade ideológica).

Julgamento

Os quatro foram julgados pelo Conselho de Senten√ßa do Tribunal do J√ļri, de 11 a 15 de mar√ßo de 2019, sendo o julgamento mais longo da hist√≥ria do Judici√°rio ga√ļcho. O j√ļri foi presidido pela Ju√≠za de Direito Sucilene Engler.

Leandro Boldrini, pai da crian√ßa, foi condenado a 33 anos e 8 meses de pris√£o (30 anos e 8 meses por homic√≠dio quadruplamente qualificado, 2 anos por oculta√ß√£o de cad√°ver e 1 ano por falsidade ideol√≥gica). Graciele Ugulini foi condenada a 34 anos e 7 meses de reclus√£o (32 anos e 8 meses por homic√≠dio quadruplamente qualificado e 1 ano e 11 meses por oculta√ß√£o de cad√°ver). Edelv√Ęnia Wirganovicz foi condenada a 22 anos e 10 meses (21 anos e 4 meses por homic√≠dio triplamente qualificado e 1 ano e 6 meses por oculta√ß√£o de cad√°ver). Evandro Wirganovicz foi condenado a 9 anos e 6 meses (8 anos por homic√≠dio simples e 1 ano e 6 meses por oculta√ß√£o de cad√°ver) e ganhou liberdade condicional em 25/3/19. Os demais condenados n√£o poder√£o apelar em liberdade.

Em 10/12/21, o 1¬ļ Grupo Criminal do TJRS determinou a anula√ß√£o do j√ļri e a realiza√ß√£o de um novo julgamento para Leandro Boldrini. Cabe recurso da decis√£o.