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Caso Bernardo: Defesas sustentam vers√£o dos r√©us e postulam desclassifica√ß√£o e absolvi√ß√Ķes

15/03/2019 - 00:25

Ap√≥s 15 horas, est√£o encerrados os trabalhos no Sal√£o do J√ļri da Comarca de Tr√™s Passos. Minist√©rio P√ļblico e Advogados que representam Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelv√Ęnia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz falaram sucessivamente sobre as provas produzidas e apresentaram suas teses defensivas, pedindo desclassifica√ß√£o de crimes imputados e absolvi√ß√Ķes. Todos falaram aos jurados no final da noite dessa quarta-feira. Os debates se encerraram por volta da meia noite, tendo dura√ß√£o de 8 horas.

Amanh√£, a partir das 10h, o J√ļri ser√° retomado, quando as partes ter√£o nova chance de expor seus argumentos na r√©plica e na tr√©plica. Em seguida, o Conselho de Senten√ßa se reunir√° para dar o veredicto.

O julgamento est√° sendo realizado no Sal√£o do J√ļri da Comarca de Tr√™s Passos.

advogado falando

Defesas tiveram uma hora para cada r√©u: Ezequiel Vetoretti,…

Leandro Boldrini

A defesa de Leandro Boldrini argumentou que a den√ļncia contra o pai de Bernardo foi feita em cima de conjecturas e provas falsas. O Advogado Ezequiel Vetoretti tamb√©m criticou a imprensa pelo destaque excessivo ao caso, bem como a imagem de “monstro” que teriam criado do cirurgi√£o.

Citou declara√ß√Ķes de testemunhas que falaram bem do relacionamento de pai e filho e que n√£o foram citadas na m√≠dia. E tamb√©m a influencia midi√°tica na reabertura do processo que investigou as circunst√Ęncias da morte de Odilaine Uglione, m√£e de Bernardo, ap√≥s a morte dele, arquivado novamente.

“Todos os finais de semana, Leandro e Bernardo sempre se falaram nos finais de semana. O √ļnico que o pai n√£o conseguiu foi o do crime”, garantiu o Advogado. O defensor admitiu que o cliente n√£o deveria ter gravado os v√≠deos das brigas com o filho, mas que o pai reconheceu que a inten√ß√£o foi mostrar para um Psiquiatra. E tamb√©m afirmou que o cirurgi√£o n√£o √© emotivo. “Ele √© uma pessoa fria. Foi criado na ponta do fac√£o.”

Vetoretti afastou as suspeitas de conluio entre as defesas para livrar Leandro do crime, uma vez que ele seria fonte financeira. Segundo ele, a madrasta declarou que a morte de Bernardo foi acidental, com isso, ela isentaria a todos, pois o crime seria culposo e n√£o doloso. “Desde o primeiro depoimento ela disse que Leandro n√£o sabia de nada. Criaram um monstro.”

Sobre o laudo psiqui√°trico apresentado pelo Minist√©rio P√ļblico, onde √© dito que Leandro tem tra√ßos de psicopatia, Vetoretti afirmou que o documento revela a indigna√ß√£o do m√©dico com a companheira “pela situa√ß√£o em que ela o colocou”. Ao final, enfatizou: “O lugar de Leandro √© em Tr√™s Passos salvando vidas. Leandro √© inocente .”

advogado falando

…Vanderlei Pompeo de Mattos…

Graciele Ugulini

O Advogado Vanderlei Pompeu de Mattos declarou que Graciele Ugulini √© r√© confessa, mas n√£o havia inten√ß√£o de matar a crian√ßa. Entretanto, admitiu que n√£o h√° argumentos para a oculta√ß√£o do cad√°ver, o que classificou como uma “atitude insana”.

“Uma trag√©dia acidental. Ela vai responder por homic√≠dio culposo e oculta√ß√£o de cad√°ver”, resumiu. “Uma decis√£o serena para que estas pessoas possam ser reinseridas na sociedade”, desejou o defensor.

Pompeo de Mattos criticou o que chamou de “desvirtuamento da din√Ęmica”, conferindo √† imprensa um apelo excessivo ao caso. “N√£o enxergo a comunidade sentada aqui. Aqueles vingadores de plant√£o disseminados por entrevistas, induzidos ao erro. Cad√™ a como√ß√£o social?”

O defensor afirmou que as express√Ķes usadas por Graciele sobre Bernardo foram ditas “no campo da teoria”. E alegou que o menino se automedicava e que o excesso de ingest√£o do rem√©dio causou a sua morte.

Chamada de psicopata pela acusação, Pompeu de Mattos afirmou que Graciele apresenta um quadro depressivo e que a madrasta de Bernardo pensou em suicídio. E defendeu a semi-imputabilidade dela.

advogado falando

Gustavo Nagelstein

advogado falando

Jean Severo

Edelv√Ęnia Wirganovicz

Os Advogados Gustavo Nagelstein e Jean Severo fizeram a defesa da Assistente Social Edel√Ęania Wirganovicz. Eles argumentaram que ela n√£o tinha motivo para matar Bernardo. E que a participa√ß√£o dela no crime n√£o √© a mesma que a do pai e da madrasta. “Esperamos que voc√™s concluam que ela n√£o matou esse menino e, sim, ajudou a esconder este corpo. Ou, ent√£o, entendam que a participa√ß√£o dela foi bem menor que a de Leandro e Graciele.”

Nagelstein retomou a versão apresentada pela cliente dele, no início da tarde, no sentido de que foi pressionada por Graciele para ajudá-la a esconder o crime e coagida a manter-se em silêncio.

O Advogado afirmou que h√° erros no processo e nas vers√Ķes apresentadas pelos r√©us, inclusive a da pr√≥pria cliente. “Esse processo tem seis vers√Ķes. Em qual delas vamos nos apegar? Mas tem uma certeza que n√£o podemos deixar passar: Edelv√Ęnia e o irm√£o dela n√£o tinham motiva√ß√£o.”

Os defensores afirmam que Edelv√Ęnia n√£o recebeu dinheiro de Graciele e que eram dela os R$ 6 mil pagos √† construtora para quitar parcelas atrasadas do apartamento.

“Tem que sair daqui condenada, mas por oculta√ß√£o. Mas, no homic√≠dio, ela n√£o tem dolo”, afirmou o Advogado Jean Severo. “O Evandro, nem se fala”, completou.

advogado falando

…e Lu√≠s Geraldo Gomes dos Santo

Evandro Wirganovicz

A defesa de Evandro Wirganovicz foi realizada pelo Advogado Lu√≠s Geraldo Gomes dos Santos. O defensor criticou o inqu√©rito policial e a den√ļncia do Minist√©rio P√ļblico, apontando equ√≠voco na an√°lise das provas e das interpreta√ß√Ķes. “Um processo feito na base do achismo.” O advogado defendeu que a Pol√≠cia induziu o MP.

“Evandro √© um estranho no ninho. Caiu de paraquedas no processo”, disse Santos, lembrando que os outros r√©us isentaram o acusado em seus interrogat√≥rios. Tamb√©m n√£o h√° intercepta√ß√£o que coloque os irm√£os Wirganovicz conversando sobre o fato.

A autoridade colocou Evandro no local de forma for√ßada, argumentou. “O grande problema √© que ele n√£o sabia que ela (Edelv√Ęnia) tinha feito a porcaria que fez.”

A defesa argumentou inexist√™ncia de provas de que Evandro conhecia Graciele e Leandro e de que ele tenha recebido dinheiro deles para ajudar a matar Bernardo. E que n√£o h√° elementos de que o motorista cavou o buraco. Lembrou que o carro de Edelv√Ęnia foi visto nas proximidades do local da cova, que ela levou o carro para lavar e foi vista suja de barro. “A irm√£ foi a uma agropecu√°ria e pergunta o que precisa para fazer um buraco. Ningu√©m viu o Evandro.”

E finalizou: “N√£o h√° qualquer elemento de que Evandro anuiu com o crime. Evandro n√£o fez absolutamente nada.”

√öltimo dia

Esta sexta-feira (15/3) ser√° o √ļltimo de j√ļri, quando ocorrer√° a r√©plica do Minist√©rio P√ļblico e a tr√©plica pelas desfesas. Ap√≥s, os jurados se reuni√£o para votar e, ao final, a ju√≠za anunciar√° o resultado do julgamento.

Fonte: Imprensa / TJRS
dicom-dimp@tjrs.jus.br

 

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