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Caso Bernardo: Condenados os 4 réus

15/03/2019 - 20:26

Após cinco dias de trabalhos e mais de 50 horas de duração, está concluído o julgamento de Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvania Wirganovicz e Evandro Wirganovicz, acusados de matar Bernardo Boldrini, na cidade de Três Passos, em abril de 2014.

Leandro Boldrini, pai da crian√ßa, foi condenado a 33 anos e 8 meses de pris√£o (30 anos e 8 meses por homic√≠dio, 2 anos por oculta√ß√£o de cad√°ver e 1 ano por falsidade ideol√≥gica). Graciele Ugulini foi condenada a 34 anos e 7 meses de reclus√£o (32 anos e 8 meses por homic√≠dio e 1 ano e 11 meses por oculta√ß√£o de cad√°ver). Edelvania Wirganovicz foi condenada a 22 anos e 10 meses (21 anos e 4 meses por homic√≠dio e 1 ano e 6 meses por oculta√ß√£o de cad√°ver). Evandro Wirganovicz foi condenado a 9 anos e 6 meses (8 anos por homic√≠dio simples e 1 ano e 6 meses por oculta√ß√£o de cad√°ver) e √© o √ļnico que responder√° em regime semi-aberto. Os demais condenados, n√£o poder√£o apelar em liberdade.

Caso

O menino Bernardo desapareceu no dia 4 de abril de 2014. Seu corpo foi encontrado dez dias depois, enterrado em uma cova vertical em uma propriedade às margens do rio Mico, na cidade vizinha de Frederico Westphalen.

No mesmo dia, o pai e a madrasta da criança foram presos, suspeitos respectivamente de serem o mentor intelectual e a executora do crime, com a ajuda da amiga dela. Dias depois, Evandro foi preso, suspeito de ser a pessoa que preparou a cova onde o menino foi enterrado.

Den√ļncia

Para o Minist√©rio P√ļblico, Leandro Boldrini foi o mentor intelectual do crime. Ele e a companheira Graciele Ugulini n√£o queriam dividir com Bernardo a heran√ßa deixada pela m√£e dela, Odilaine (falecida em 2010), e o consideravam um estorvo para o novo n√ļcleo familiar. O casal ofereceu dinheiro para Edelvania Wirganovicz ajudar a executar o crime.

Bernardo, não sabendo do plano, aceitou ir, em 4 de abril de 2014, até Frederico Westphalen com a madrasta para ser submetido a uma benzedeira. O menino acabou morto por uma superdosagem de Midazolan, medicação de uso controlado. Seu corpo foi enterrado na cova vertical, aberta por Evandro Wirganovicz.

Depois de matar e enterrar o filho, para que ninguém descobrisse o crime, Leandro Boldrini fez um falso registro policial do desparecimento de Bernardo.

Atuaram na acusação os Promotores de Justiça Bruno Bonamente, Ederson Vieira e Sílvia Jappe.

Defesa

Leandro Boldrini negou participação no assassinato do filho e acusou a ex-companheira e a amiga dela de planejarem a execução. O médico admitiu ser um pai ausente, por conta da dedicação ao trabalho.

Graciele assumiu a culpa, mas sem a intenção de matar. Disse que o menino levou Bernardo à Frederico Westphalen naquela tarde e que, no caminho o menino ficou agitado e precisou ser medicado. Como ele continuou em surto, a madrasta, que estava dirigindo, mandou que Bernardo ingerisse mais remédio (Midazolan).

Quando se encontraram com Edelvania, o menino estaria desacordado e sem pulso. As duas entraram em desespero e a Assistente Social tentou lev√°-lo ao hospital, mas a madrasta n√£o deixou.

A vers√£o de Edelvania √© de que foi coagida e amea√ßada por Graciele. A madrasta, por sua vez, alega que a convenceu ¬Ņem nome da amizade delas¬Ņ. Foi Edelvania quem indicou o local onde Bernardo seria enterrado, pr√≥ximo √† casa da m√£e dela.

O carro de Evandro foi visto nas proximidades no mesmo dia em que as duas teriam comprado as ferramentas para cavar o buraco e adquirido o Midazolan com receita assinada por Leandro Boldrini. Evandro alega que estava de férias pescando no local.

Foram ouvidas 15 testemunhas, que ficaram incomunicáveis até o fim dos seus depoimentos.

Transmiss√£o ao vivo

Pela primeira vez na hist√≥ria do Judici√°rio ga√ļcho, um J√ļri foi transmitido ao vivo. S√≥ no primeiro dia de julgamento, o site do TJRS alcan√ßou 800 mil acessos. O link no YouTube obteve 94 mil acessos. Mais de uma dezena de pa√≠ses acompanharam a transmiss√£o.

Fonte: Imprensa / TJRS
dicom-dimp@tjrs.jus.br

 

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