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Desafios da participação feminina em espaços do Judiciário foi tema de debate virtual

20/08/2020 - 15:00

Um bate-papo virtual, na manhã de hoje (20/8), tratou sobre a presença feminina no Poder Judiciário. Mediado pelo Presidente do Conselho de Comunicação Social do TJRS, Desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira, o evento contou com a presença do 2º Vice-Presidente do Tribunal, Desembargador Ícaro Carvalho de Bem Osório, da Corregedora-Geral da Justiça, Desembargadora Vanderlei Teresinha Tremeia Kubiak, e da Juíza Andréa Rezende Russo. Numa conversa informal sobre um tema de extrema relevância, os magistrados relataram suas experiências ao longo da carreira e conversaram com colegas e servidores presentes ao evento, que se estendeu por cerca de 1 hora e meia.

O Desembargador Vinicius destacou que o Poder Judiciário vem estimulando cada vez mais que mulheres ocupem espaços relevantes de trabalho, tanto em âmbito nacional, através do Conselho Nacional de Justiça, quanto na esfera local.

Desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira mediou o evento, que contou com as participações do 2º Vice-Presidente, Desembargador Ícaro Carvalho de Bem Osório, da Juíza Alessandra Bertoluci...

Desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira mediou o evento, que contou com as participações do 2º Vice-Presidente, Desembargador Ícaro Carvalho de Bem Osório, da Juíza Alessandra Bertoluci…

...Juíza Andréa Russo, Psicóloga Bibiana Magalhães, Juíza-Corregedora Cristiane Hoppe e Corregedora-Geral, Desembargadora Vanderlei Kubiak

…Juíza Andréa Russo, Psicóloga Bibiana Magalhães, Juíza-Corregedora Cristiane Hoppe e Corregedora-Geral, Desembargadora Vanderlei Kubiak

Embora considere não ter presenciado nenhum episódio discriminatório contra as mulheres ao longo da carreira, o Desembargador Ícaro considera que a realidade existe, e citou alguns exemplos. “Voltando mais atrás, meu pai era magistrado, e não lembro de ver uma juíza. Eu achava que eram só homens que integravam a magistratura. Acredito que as mulheres possam enfrentar, sim, algum dissabor no exercício da carreira. Espera-se de um Juiz que ele seja eficiente e que tenha autoridade. Há ainda quem pense que a mulher não tenha esse cacife”, afirmou o Desembargador, que também preside o Comitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade do TJRS.

O 2º Vice-Presidente relatou situações vividas por julgadoras, como a Ministra Ellen Gracie, que, quando ingressou no Supremo Tribunal Federal, descobriu que não havia banheiros femininos para magistradas. E a Desembargadora gaúcha Maria Berenice Dias, que foi indagada se era virgem, durante o concurso para ingresso na carreira. “Essa pergunta provavelmente jamais tenha sido feita para um homem”, observou o Desembargador, acrescentando que, hoje, as mulheres têm sido o grande destaque dos certames.

A Juíza Andrea Rezende Russo, do 2º Juizado da Violência Doméstica de Porto Alegre, propôs, recentemente um projeto voltado para as mulheres que atuam no Poder Judiciário gaúcho. Surgiu, assim, o “Bem me quero bem”, uma iniciativa que oferece escuta especializada a magistradas, servidoras, estagiárias e terceirizadas. “Ainda estamos em busca da igualdade material, não só formal. E esse projeto busca que as mulheres que estejam passando por conflitos familiares ou relações abusivas tenham uma boa saúde mental”, explica.

O serviço é realizado pela Coordenadorias das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar do RS em parceria com a DIGEP, e é sigiloso. “A violência doméstica não tem a ver com classe social ou maior ou menor condição econômica. Dados do Ministério da Saúde apontam que, a cada 4 minutos, uma mulher é vítima de violência. São números que impressionam. Muitas mulheres têm dificuldades de se identificar como vítima. É importante ter essa compreensão”.

A Juíza Alessandra Abrão Bertoluci, Coordenadora do GT de Monitoramento e Incentivo à Participação Institucional Feminina do TJRS, agradeceu aos participantes, equipe de apoio e público que acompanhou o evento. “Esse é só o começo. Estamos todos desafiados a construir muita coisa em cima desses temas tão importantes”, afirmou. “O que enriquece a experiência é a pluralidade, a diversidade”, frisou.
A Juíza-Corregedora Coordenadora Cristiane Hoppe citou o exemplo de mulheres fortes do Judiciário, entre magistradas e servidoras, que se estabeleceram em áreas predominantemente masculinas.

Por fim, a Psicóloga da DIGEP, Bibiana Magalhães, divulgou os canais de comunicação para interessados no Serviço de Atendimento Psicossocial (atendimento.coronavirus@tjrs.jus.br) e no projeto Bem Me Quero Bem (bemmequerobem@tjrs.jus.br).

Ao final, participantes também puderam enviar questionamentos, sugestões e opiniões aos convidados.

O evento de hoje foi promovido em parceria com o Comitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade do TJRS, a Corregedoria-Geral da Justiça, o Serviço de Ambiência Organizacional-DIGEP e a Coordenadoria Estadual da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

Para quem tem interesse no tema mas não pode acompanhar o evento, a gravação está disponível no link a seguir:

https://drive.google.com/file/d/1hvdYhUBzZF4i2O4EGl-9YevdhP_nAHFE/view?usp=drive_web

 

 

Fonte: Imprensa / TJRS
imprensa@tjrs.jus.br

 

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