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Live CEVID: Bate-papo sobre combate à violência doméstica em tempos de pandemia

10/03/2021 - 16:57

A Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica (CEVID), promoveu live no dia 9/3. Na apresentação do evento estavam a Juíza-Corregedora Taís Culau de Barros e as convidadas, a Juíz designada para o Regime de Exceção Criminal no 1º Juizado da Vara da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, Márcia Kern e a Juíza da VDFCM, da Comarca de Rio Grande, Denise Dias Freire. E falando diretamente de Londres Amanda Gatti, a Atriz e Produtora Executiva da Websérie Confessionários – Relatos de Casa.

Live

Taís Culau falou sobre o trabalho da Websérie – que aborda temas voltados ao universo da violência doméstica e de gênero – como também, destacou a 17ª Semana da Justiça pela Paz em Casa, promovida pelo CNJ e executada pelos tribunais, que visa a acentuar ações dirigidas para prevenção da violência doméstica e suas desigualdades.

Frisou que o Dia Internacional da Mulher é uma data de grandes reflexões: “Nos últimos anos nós, mulheres, conseguimos muitas conquistas, mas muito ainda a ser feito. É um dia de muitas lutas pela igualdade e que infelizmente a violência ainda permeia nossa sociedade”, disse a Juíza-Corregedora. Em sua fala, apontou dados sobre o feminicídio: “Em 2020, 78 mulheres foram mortas no Rio Grande do Sul. É um número estarrecedor; que nos alerta para a necessidade de continuarmos, cada vez mais, conversando sobre este assunto e trazendo isto para a nossa pauta, de combate a esta violência e também para dar visibilidade a esta questão”, disse Taís Culau.

A magistrada agradeceu a participação das convidadas e comunicou que a Corregedora-Geral da Justiça, Desembargadora Vanderlei Teresinha Tremeia Kubiak, estava prestigiando a live.

Vida representada pela arte

A Juíza Márcia Kern realizou uma breve análise da jurisdição dos magistrados, em casos de violência doméstica, junto com a diversidade da arte e a sua forma de atingir o público em geral. Também relembrou sua trajetória jurisdicional lembrando a evolução na forma de julgamento dos casos de violência doméstica. Segundo ela, os magistrados passaram a ter uma visão mais sensível. “É uma situação de muita tensão, em que se vislumbra um ciclo de violência. As vítimas chegam em nossas salas de audiência repletas de culpa. E a primeira coisa que temos que dizer para elas é: – Tu não és culpada! O que está acontecendo aqui é um fato. Nós temos que ver aqui o porquê isto aconteceu e como deixar de acontecer.”, explica a magistrada, destacando a importância de ser delicadeza para ouvir ambas as partes.

A Juíza Márcia Kern também apontou a importância do papel da arte e da literatura e do fortalecimento da rede. “A arte transcende a realidade transformando o lamento em memória e esta passa a ter beleza. E quando chega na casa das pessoas, desperta empatia e muita reflexão. É muito importante que toda a sociedade se reúna, em rede, porque é uma forma de fomentar ajuda à mulher que sofre violência doméstica. Precisamos falar sobre isto”, disse. Por fim, fez um paralelo do personagem Otelo, escrito em 1600 junto a depoimentos dados pelas vítimas em salas de audiências, ligado a relações abusivas.

A arte no combate à violência doméstica

Na sequência, a atriz Amanda Gatti celebrou a parceria com a CEVID e contou sobre como foi lidar com relatos reais de violência doméstica e transformar, em ficção, as personagens. “A Websérie foi uma forma de chegar nas pessoas de forma mais acessível, com relatos diferentes. Isto fortaleceu inclusive muitas mulheres que se sentiram fortalecidas e acabaram denunciando seus agressores. Quando a gente fala em feminicídio, pensamos logo em violência física, mas tem aí uma violência psicológica forte, muito forte”, lamenta a atriz.

A produtora executiva aproveitou também para mostrar como são realizadas as gravações dos episódio e campanhas publicitárias de divulgação. “A gente quer que chegue para todo mundo. É importante que homens também assistam, vejam esses episódios. É uma maneira de trocarmos informações e de educar para que,de alguma forma, mude este mundo.”

Representatividade e dimensão da Websérie

Por fim, a Juíza Denise Dias Freire falou sobre a sua trajetória na magistratura no interior do Estado. Exemplificou casos de violência doméstica que vivenciou e o poder de dimensão que a Websérie atinge ao retratar casos de relações abusivas. “A gente pensa que já ouviu de tudo. No entanto, a websérie é muito representativa do aspecto amplo da violência doméstica, pois escancara através da arte o sofrimento e a brutalidade que muitas vezes ocorrem entre quatro paredes”, destaca.
Abordou também a importância de campanhas, que incentivam muitas mulheres a ter coragem para denunciar, estimulando também o seu reconhecimento dentro de uma situação de violência doméstica.

 

Fonte: Imprensa / TJRS
imprensa@tjrs.jus.br

 

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